Pra quem acompanha futebol frequentemente sabe que os clubes vivem trocando os técnicos por inúmeros motivos, muitas vezes bobos. Essas trocas deveriam ser a última opção a ser empregada, é a opção de emergência.

Recentemente sabemos que o Galo trocou de técnico, de novo. Foram duas trocas de comando só neste Brasileirão.

A primeira mudança aconteceu após a derrota para o Bahia, por 2 a 0, na 15ª rodada. Também no Independência e também diante de uma equipa baiana, o Atlético perdeu por 3 a 1 para o Vitória, neste domingo, pela 25ª rodada, e a diretoria decidiu pela demissão de Rogério Micale.

Beleza, mas será que realmente ficar trocando de técnico frequentemente nos clubes é a forma mais adequada para buscar o melhor desempenho das equipes dentro de campo?

Hoje em dia, ainda convivemos, dentro do ‘nosso’ futebol, com as constantes trocas de comando técnico nos clubes. A linda ilusão de que trocar o técnico resolve os problemas atuais de desempenho. Isso é uma prática comum na atuação de muitos dirigentes dos clubes de futebol.

Porém, será que no fundo eles realmente acreditam nessa prática como a forma mais adequada para buscar o melhor desempenho de suas equipes dentro de campo? Será que acham que isso seria uma fórmula mágica?

Acredito eu, que a escolha de um comando técnico, poderia ser encarada como um processo seletivo profissional, onde seriam considerados vários aspectos para uma melhor seleção do profissional que comandará uma determinada equipe para assim minimizar um pouco ds margens de erros. Algumas características deveriam ser levadas mais a sério, tais como:

  • Perfil comportamental do técnico;
  • Experiência profissional;
  • Aderência de valores do profissional com os valores do clube;
  • Crença do profissional no projeto apresentado pelo clube;
  • Exames psicológicos;

Mas apenas esses parâmetros na seleção seriam suficientes para se esperar um alto desempenho dentro de campo? Acredito que não, pois penso que alguns passos devem ser dados antes da referida seleção do profissional que comandará tecnicamente o time. A gestão pode e deve elaborar um ou mais projetos para o futebol do clube, com definição de objetivos de curto, médio e longo prazos, para os quais serão associadas metas a serem atingidas ao longo do desenvolvimento do trabalho que será desenvolvido.

É fundamental que o clube saiba gerenciar muito bem as expectativas de todo mundo (equipe gerencial e atletas), quanto aos projetos planejados, bem como, sobre os resultados que são esperados pelo clube, caso não haja gerenciamento das expectativas, fica complicado, pois coloca em situação delicada toda a estratégia de gestão e invariavelmente acarreta numa pressão desnecessária na comissão técnica, a qual responde pelo desempenho do time dentro de campo.

Mas é óbvio que, além da gestão do clube fazer o que é sua obrigação, o técnico ao ser selecionado também tem sua parcela de contribuição efetiva para buscar promover uma rápida assimilação do seu trabalho e da sua forma de liderança, junto ao grupo de jogadores. É esperado que ele construa uma relação de confiança e empatia, para poder promover ou estabelecer um ambiente de alta performance, no qual ele possa não só apoiar o desenvolvimento da equipe, mas também desafiá-la nas doses certas ao longo do trabalho realizado. Então, para esse trabalho do técnico, são importantes dois passos para que ele consiga conquistar a confiança da galera do clube:

  • Criar uma genuína e autêntica relação com os atletas;
  • Conseguir empatia através de um olhar incondicional sobre a realidade do time e dos jogadores, ou seja, mesmo se o time estiver mal das pernas nas partidas, tentar entender a situação e nunca parar de encorajá-los;
  • Nunca desistir quando as coisas começarem a apertar;
  • Acompanhar mais de perto a vida de seus atletas;

Desse jeito creio que podemos compreender a troca do comando técnico como apenas uma pequena parcela de discrepância da gestão esportiva, visto que antes da própria seleção em si, precisamos definir e divulgar qual ou quais projetos serão executados para o futebol, bem como reconhecer os valores do clube e ordenar as expectativas de todos os envolvidos. Só aí então se deve partir pela  busca de um profissional que possa ser uma parte inteirada, engajada e efetiva na execução dos projetos que vão levar o clube ao sucesso, seja no futebol nacional ou mundial.

É claro que trocar o treinador tende a dar resultado imediato, na medida em que o desempenho do treinador demitido normalmente é muito baixo e o novo treinador vai (salvo raras exceções), melhorar o aproveitamento em relação ao seu antecessor.

Além disso, o que seria “funcionar” para um time? Ser campeão ou, no mínimo, terminar o campeonato nas primeiras posições, é claro.

É meio óbvio ver que quem está nas melhores posições no Brasileirão tiveram um técnico mais estável, quer dizer: o normal é que um clube, sem mudanças no comando técnico, acabe tendo o melhor desempenho.

Em outras palavras, ficar trocando sempre de treinadores indica falta de planejamento dos clubes, desorganização administrativa, elencos fracos e contratações ruins. Quanto mais problemas o time tem na temporada, mais sedutor a troca de técnico parece ser. A questão é que “funciona” pois provoca uma mudança imediata no desempenho e na posição na tabela.

Desse jeito acaba sendo a principal, às vezes única salvação que os clubes conhecem. Eles nem se são conta, muitas vezes, que o buraco é mais em baixo. Ou seja, eles podem montar times ruins, atrasar os salários, contratar treinadores cujo trabalho ignoram e tudo mais, porém, para eles, tudo se resolve com uma  simples mudança de técnico!

E aí, o que você acha dessas troca constante de comando técnico? Acha que é necessário sempre que o time não tem um bom desempenho?

Fontes:

http://globoesporte.globo.com/blogs/especial-blog/olhar-cronico-esportivo/post/quanto-tempo-dura-o-treinador-nas-cinco-grandes-ligas-e-no-brasil.html

https://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/brasileiro/serie-a/ultimas-noticias/2017/09/24/presidente-do-atletico-mg-explica-a-decisao-de-trocar-de-tecnico-novamente.html

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/Brasileirao/Serie_A/0,,MUL1274713-9827,00-DEMITIR+OS+TREINADORES+TEM+MELHORADO+O+DESEMPENHO+DAS+EQUIPES+NO+BRASILEIRA.html