Confira aqui os casos mais marcantes envolvendo o preconceito dentro do futebol, aqui no Brasil e até em outros países.

O futebol é reconhecido, historicamente, como uma importante opção de lazer à população mundial, especialmente a brasileira. Porém, o futebol, capaz de unir pessoas de diversas etnias e classes sociais, um importante instrumento de inclusão social, não chegou assim ao país. Lá em seu início, em 1894, quando chegou ao Brasil através dos estudantes de classe alta, que voltavam do Reino Unido com bolas e chuteiras na bagagem, o futebol era elitista e praticado por clubes de engenheiros e técnicos ingleses, além de jovens da elite metropolitana que frequentavam estes espaços. Os negros e demais cidadãos pobres brasileiros não eram aceitos nos grandes clubes. O futebol não deveria um divisor da população, ele deveria unir as pessoas. Infelizmente esse preconceito racial perdura até os dias de hoje. Muitos se sentem extremamente incomodados pelo fato de uma pessoa de cor diferente da sua consiga sucesso de algum modo.

Por mais chocante que esse comportamento seja, o preconceito é também encontrado dentro de campo.

Jogadores de Brasil e Uruguai perfilados juntos em campanha contra o racismo.

Veja alguns dos principais casos de preconceito sofridos por jogadores brasileiros:

Neymar

Na partida contra o Ituano, pelo Campeonato Paulista, o atacante Neymar, até então no Santos, questionou o técnico Roberto Fonseca, da equipe adversária, se ele o havia chamado de “macaco”. Porém, sem ter certeza, Neymar ficou quieto decidiu não polemizar.

Essa não é a primeira vez que o craque brasileiro se envolve em uma suspeita de racismo. Em uma partida contra a Escócia, em 2011, o craque marcou os dois gols da vitória brasileira e foi duramente vaiado pela torcida adversária. Durante a partida, um torcedor alemão infiltrado na parte da arquibancada com o maior número de brasileiros atirou uma banana em campo, em provocação ao jogador.

Arouca

Em 2014 durante um jogo do Santos X Mogi Morim pelo Campeonato Paulista, o volante santista marcou um gol na vitória por 5 a 2. Mas a alegria foi substituída pela indignação. Torcedores do Mogi Mirim o chamaram de macaco e um outro lhe disse que deveria procurar uma seleção africana para jogar. Arouca, no dia seguinte, se manifestou sobre o ocorrido.

“A impunidade e a conivência das autoridades com as pessoas que fazem esse tipo de coisa são tão graves quanto os próprios atos em si. Somente discursos e promessas não resolvem a falta de educação e de humanidade de alguns”, escreveu.

Antônio Carlos Zago

Quando jogava no Juventude, ele esfregou os dedos no braço enquanto olhava para o volante Jeovânio, do Grêmio, em uma partida do Campeonato Gaúcho em 2006. Ele negou, mas pegou 120 dias de suspensão.

Grafite

O atacante, então no São Paulo, foi xingado de “negro de m…” pelo zagueiro Desábato, que jogava no Quilmes (Argentina) em uma partida pela Libertadores de 2005. Na ocasião, Grafite empurrou  a cabeça do adversário e foi expulso, enquanto o defensor teve sua prisão decretada ainda no gramado do Morumbi e ficou detido por dois dias em uma delegacia. Posteriormente, Grafite retirou as queixas contra Desábato.

Roberto Carlos

Em 2011, depois de ir para Rússia, o lateral Roberto Carlos sofreu com racismo duas vezes. Em março, a torcida do Zenit atirou bananas em sua direção, e, em junho, o jogador deixou o campo mais cedo na vitória por 3 a 0 do Anzhi sobre o Krylya Sovetov pelo mesmo motivo. O jogador também cobrou uma ação mais enérgica da Fifa .

Danilo

Quando estava no Palmeiras, Danilo ofendeu o defensor Manuel, do Atlético-PR, em uma partida de Copa do Brasil em 2010. Na ocasião, o insultou de “macaco do c…” para se referir ao adversário. Como punição, ele ficou suspenso por 11 jogos do Campeonato Brasileiro. Julgado quase três anos depois, o atleta foi multado em mais de R$ 350 mil.

Máxi Lopez

Outro caso em gramados tupiniquins foi o de Máxi Lopez, que jogava no Grêmio, com o volante Elicarlos, do Cruzeiro. Na ocasião, o atacante teria xingado o adversário de “mono”, que significa macaco, em espanhol, e por um triz não saiu preso do Mineirão.

Obina

Ex-Flamengo, Atlético-MG e Palmeiras, o atacante Obina sofreu com o racismo em uma partida da Copa do Brasil diante do Juventus, no Acre, em 2010. Em um treino do Galo na capital Rio Branco, alguns torcedores adversários insultaram o jogador com gritos de “macaco”, o que gerou descontentamento do atleta. Em resposta aos ofensores, Obina marcou cinco gols em sua estreia com a camisa alvinegra e o time venceu por 7 a 0.

Daniel Alves

Numa das edições do clássico entre Real Madrid e Barcelona, no Santiago Bernabeu, o lateral da seleção brasileira ouviu, bem no finalzinho da partida sons de imitações de macacos vindos das arquibancadas. A situação não foi inédita para o jogador. Ele chegara a afirmar posteriormente, que era uma “luta perdida”.

Márcio Chagas da Silva

O árbitro que apitou o jogo entre Esportivo e Veranópolis, em Bento Gonçalves, encontrou seu carro danificado e com bananas no capô e no cano de descarga após a partida, válida pelo Campeonato Gaúcho. “Um grupo de torcedores se manifestou de forma racista desde o início, com gritos de ‘macaco’, ‘teu lugar é na selva’, ‘volta pro circo’ e coisas desse tipo”, contou. O caso foi parar na Justiça Desportiva e o pleno do TJD decidiu tirar nove pontos do Esportivo, que acabou rebaixado para a Divisão de Acesso com a decisão do tribunal.

Tinga

Durante jogo do Cruzeiro e Real Garcilaso, no Peru, o volante brasileiro foi hostilizado por uma parte da torcida. Eles reproduziam sons de macacos sempre que ele pegava na bola. O caso repercutiu. A então presidente Dilma comentou no Twitter e deu todo apoio ao jogador. “Ao sair do jogo, Tinga disse que trocaria seus títulos por um mundo com igualdade entre as raças. Por isso, hoje, o Brasil inteiro está fechado com o Tinga. Acertei com a ONU e com a Fifa que a nossa Copa das Copas também será a Copa contra o racismo. Porque o esporte não deve ser jamais palco para o preconceito”, escreveu a presidente, fazendo da expressão “fechado com Tinga” uma das mais retuitadas.

E aí, quais atitudes vocês tomariam diante dessas situações? Deixe seu comentário!

Fontes:

https://infograficos.oglobo.globo.com/esportes/dez-casos-de-racismo-que-envergonham-o-futebol/samuel-etorsquoo-12141.html#description_text

http://globoesporte.globo.com/rs/noticia/2014/04/marcio-chagas-deixa-arbitragem-e-sera-comentarista-da-rbs-tv.html

http://safergs.com.br/?p=8559