A necessidade do media-training para os profissionais do futebol

Hoje em dia o cuidado com a imagem do jogador de futebol ultrapassa as barreiras da vaidade, e se torna uma questão de destaque mercadológico, visando a maximizar os lucros obtidos com o esporte.

Com cada vez mais um maior envolvimento das mídias nas competições esportivas, sua diversidade de canais e formatos de linguagem, além da exposição cada vez maior dos craques-celebridades, é extremamente necessário um planejamento de comunicação bem elaborado para sua audiência.

Passar e ter uma boa imagem pode render contratos multimilionários com diversos setores do mercado, de curto a longo prazo, como ocorreu com Pelé. A longevidade dos contratos firmados depende, essencialmente, da forma como é gerido a imagem do atleta no decorrer de sua carreira.

Construir um ídolo depende de uma série de fatores imprevisíveis. Mas qualquer tentativa de fabricar personalidades consumidas pelo grande público passa por respeito. Não apenas ao público em si, mas às marcas que a figura do atleta representa.

Aí entra um conceito que funciona muito bem no mercado corporativo, mas que infelizmente é pouco difundido no esporte: o media training. Técnicos, atletas e dirigentes se tornam os porta-vozes das instituições que defendem. Por isso, precisam ser preparados para um uso eficaz do espaço que a mídia oferece sem cometer gafes.

O início de qualquer treinamento para porta-vozes é exatamente a compreensão desse papel. Uma personalidade que representa uma instituição não pode se comportar como uma pessoa qualquer porque agora, os erros de uma figura pública têm repercussão maior e afetam diretamente a marca que está representando.

O atleta que tem o entendimento e percepção sobre o que ele representa é capaz de evitar muitos problemas.

Como exemplo negativo temos um caso de repercussão à nível internacional que ocorreu quando o atacante italiano, Balotelli (na época era jogador do Inter de Milão), foi a um programa de TV e vestiu, sem saber que estava sendo gravado, uma camisa do rival Milan.

Um porta-voz precisa entender todos os aspectos do cargo que ele ocupa. Tem por obrigação também, saber a história da instituição, conhecer os principais ídolos e entender os hábitos do público que o segue. Um atleta do Cruzeiro, por exemplo, precisa saber que deve evitar roupas e acessórios pretos. Um jogador do Grêmio também tem de fugir do vermelho.

Só o fato de se familiarizar um pouco com a história pode evitar muitas gafes. Pode evitar, por exemplo, que um jogador diga o nome errado do clube no momento da apresentação.

Só depois de conhecer a história da instituição e entender um pouco sobre o público, se deve entender o que a marca tem a dizer e a mensagem que ela quer passar pro mundo. Isso vale para clubes, entidades e até para patrocinadores. Um atleta de sucesso comercial não é apenas o que se torna campeão, mas o que se torna relevante para os parceiros. Para obter essa relevância, é sem dúvida, necessário saber como interagir com a mídia e transmitir corretamente o que os anunciantes têm como bases.

Essa preparação institucional é o motivo para algumas empresas colocarem em quarentena os novos funcionários, por motivo de segurança à sua imagem. A Nike mesmo é um belo exemplo de empresa que não deixa que um porta-voz saia falando com a imprensa antes de ele ser corretamente preparado. Acho válido!

O “treinamento” de um porta-voz também passa pelas coisas que ele não pode fazer ou falar. É fundamental que ele tenha saiba os limites, principalmente se for assuntos mais polêmicos.

Além disso tudo, é necessário pensar em “como falar”. Um porta-voz de sucesso sabe usar a seu favor a linguagem corporal, sabe escolher as palavras adequadas e direciona até o olhar de forma correta. Essa é a pessoa que chama os entrevistadores pelo nome, agradece a cada pergunta, fala pausadamente, faz explicações claras e não cria polêmicas desnecessárias.

Vamos pegar o exemplo do Mano Menezes, ele era criticado por muitos motivos. Todas as avaliações eram negativas, porém, apesar disso tudo, ele dava entrevistas elucidativas e optava pelo tom cordial na hora de  lidar com a mídia. Mesmo por não ser uma figura carismática, o técnico sabia se comportar como figura pública com maestria.

Ainda nesse aspecto, Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari têm perfis distintos. O Felipão é mais autêntico, ele dá declarações mais fortes e consistentes, e muitas vezes cria polêmicas simplesmente para desviar foco da conversa. Logo quando foi se apresentar como novo técnico da Seleção Brasileira, Felipão comprou briga com o Banco do Brasil ao falar que era a empresa com o emprego ideal para quem não gosta de lidar com pressão.

Mesmo que a polêmica sobre isso tenha sido muito exagerada na época, a declaração de Felipão foi só um exemplo de como não dar uma entrevista coletiva.

Comunicação requer planejamento, e qualquer deslize no planejamento pode comprometer totalmente os objetivos da instituição. Errar faz parte de qualquer processo de comunicação. Instituições são feitas de pessoas, e ídolos também são pessoas. Pessoas são falíveis, fazem besteiras e não conseguem carregar personagens durante todo o tempo. Mas como dar a volta por cima e conseguir passar por isso sem destruir a imagem positiva e sem comprometer o valor que possui fora de campo?

A resposta de novo, é a comunicação. É necessário manejar muito bem o espaço que o desempenho esportivo oferece. Por via das dúvidas, opte por falar de um jeito simples e evite dar alguma declaração que contrarie seu personagem.

Vamos pegar um exemplo negativo de novo, o atacante Adriano. A comunicação do que acontece na vida dele é extremamente complicada. Tudo vaza. As faltas, os problemas pessoais e os conflitos profissionais sempre vazaram. E pior: ele nunca tentou fazer o uso disso tudo para construir uma imagem mais simpática. Nunca tentou sequer comover o público.

Mesmo quando falou sobre os percalços da sua vida pessoal, Adriano foi o que é fora dos microfones: fechado e seco. É claro que aser desse jeito é direito dele, é sua personalidade, mas é impossível se comunicar bem sem entregar mais do que isso. Mesmo que seja um discurso ensaiado, próprio para os microfones.

Atualmente, o exemplo mais bem acabado no esporte brasileiro é o do atacante Neymar. O ponta-esquerda do PSG era tímido no início da carreira, até por ser apenas um garoto de 16 anos. Com o tempo, a experiência e uma boa preparação, ele se transformou num dos mais eficientes comunicadores do país.

Porque é isso, afinal: Neymar é um comunicador. É por isso que tudo que ele faz, fala ou usa vira tendência. É por isso que todas as crianças se identificam com ele. É por isso que ele é referência.

Fontes:

https://oglobo.globo.com/esportes/declaracao-de-felipao-sobre-banco-do-brasil-causa-reacoes-ele-pede-desculpas-6871915

http://lbcomunica.blogspot.com.br/2014/02/media-training-no-esporte.html

http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/atualidades/a-gestao-imagem-para-os-jogadores-futebol.htm