A violência está em todo lugar, todas as cidades, nas escolas, no trânsito, nos estádios de futebol… Mas como isso afeta o marketing dos clubes? Confira aqui essa relação.

Estamos vivendo nos dias de hoje uma onda de violência nunca vista no Brasil. A insegurança está em todo lugar, todas as cidades, nas estradas, nas escolas, no trânsito e, sem exceção, nos estádios de futebol.

Foi em São Paulo, na década de 40 que se deu início ao movimento de torcidas “uniformizadas”, com torcedores da elite paulistana que se encontravam nos clubes, festas e se organizavam para irem ao estádio e sentarem na arquibancada. Já no fim da década de 60 isso muda, a partir daí há uma nova maneira de torcer, não há mais aquela relação presa entre clubes e seus diretores, com regras próprias e estatuto, os grupos de pessoas criam as primeiras torcidas organizadas no Brasil.

O país lidera a lista de violência entre torcedores, seguido por Argentina e Itália. As punições, quando existem, são fracas e a imprensa tem mostrado imagens de marginais que vão e voltam para as mesmas brigas, a mesma violência. Essa realidade violenta, as mortes ligadas ao futebol e as brigas estão, invariavelmente, relacionadas às torcidas organizadas Eles não representam os torcedores. Não gostam de futebol. Usam o esporte como válvula de escape e se preparam para comparecer aos estádios como se fossem para uma guerra, munidos de pedaços de madeira, soco inglês, canivete, bombas, porretes e tudo mais. O governo vem trabalhando para reduzir o índice de violência dentro e fora dos estádios, mas é preciso que sejam adotadas ações efetivas para evitar confrontos entre as torcidas.

No geral, a violência no futebol é resultado da falha dos planos de ação do estatuto do torcedor, que não estabelece sólidas medidas de segurança, como procedimentos operacionais e conscientização de torcedores. É fundamental educar as torcidas para que consigam conviver com respeito e tolerância. Um sociólogo talvez explique essa violência toda envolta no futebol a partir das desigualdades sociais, da falta de oportunidades na vida ou de perspectivas econômicas e ideológicas. No caso de um psicólogo, pode tentar interpretar esse comportamento violento das torcidas organizadas investigando algo a respeito dos traumas vividos na infância, da mudança de comportamento do individuo quando em grupo. Um historiador poderia mostrar que a violência sempre existiu na humanidade, médicos cuidam dos feridos, enquanto jornalistas vão relatar as “batalhas” e especialistas em segurança vão sugerir estratégias e ações para combater essa barbaridade, porém o que parece faltar (além, obviamente, de civilidade e educação) é plano de marketing. Falta alguém para fazer os clubes perceberem que os torcedores deveriam ser tratados como reis e rainhas. Falta ter a facilidade na compra dos ingressos, estacionamento e acesso facilitados, horários mais adequados, calendário melhor organizado, campeonatos que façam algum sentido, lugares efetivamente numerados, opções de lanche, além, claro, de segurança reforçada dentro e fora dos estádios. São coisas “simples” porém básicas pra o público ter uma boa experiência nos estádios e não sair de lá traumatizado.

Muitos motivos podem contribuir para desencadear tal comportamento violento nos torcedores:

  • má distribuição de renda;
  • exploração dos dirigentes esportivos e dos líderes das “torcidas”;
  • efeitos da criminalidade;
  • ausência de expectativa de futuro aos jovens;
  • ausência do Estado, enquanto mentor de políticas públicas de formação social;
  • pobreza;
  • falta de emprego;
  • familiarização com a violência;
  • falta de infra-estrutura nos estádios de futebol;
  • má arbitragem;
  • gozações de adversários;
  • derrota de uma partida de futebol.

Registrar todos os torcedores de organizadas e punir os que se envolvem em brigas é importante para reduzir os casos de violência no futebol. Afinal, o esporte deve ser cercado apenas por alegria, saúde e esportividade.

Antes de tudo o ideal é fazer valer o Código Penal brasileiro, identificando, prendendo e ministrando punições para todos os torcedores que se envolvem em brigas, além de evitar que pessoas com o histórico violento frequentem os estádios.

Seria válido punir os clubes pelos atos de seus torcedores, ou seja, promover a perda de pontos ou o mando de campo de times que figuram entre os crimes praticados por torcidas.

Os clubes estão perdendo dinheiro e torcedores para o medo. O medo, que afasta esses milhões de pessoas, consumidoras carentes do produto que os clubes oferecem, é hoje seu maior inimigo.

Os torcedores estão desistindo de levar seus filhos, esposas, namoradas, sobrinhos, avós, amigos, amigas, crianças de todas as idades para sentir o prazer de ver uma boa partida de futebol devido à essa falta de segurança toda. Esse prazer todavia, raramente acontece, porque os estádios viram campos de guerra entre facções, grupos e gangues que pegam usam a rivalidade dos times como motivo para tamanha selvageria.

O Rio de Janeiro é o único estado que tem uma polícia especializada para eventos esportivos. É o GEPE (Grupamento Especializado de Policiamento em Estádio).

Para defender os consumidores, existe o Estatuto do Torcedor, nele é dedicado uma normatização mais racional das atividades desportivas no Brasil, com foco no futebol. No Estatuto do Torcedor, temos uma espécie de prolongamento do Código de Defesa do Consumidor na área do esporte, na realização das partidas, e todo o procedimento e logística que tais eventos necessitam.

As principais questões do Estatuto são:

– A acessibilidade às informações indispensáveis para o acesso aos jogos;

– Disponibilidade dos ingressos às partidas, não omitindo a abordagem da questão da meia entrada e seus destinatários;

– Segurança necessária nos estádios;

– Higiene a ser mantida em todas as dependências dos estádios;

– Comercialização de gêneros alimentícios, sendo que aspectos ligados a este, como conservação dos mesmos, será assunto diretamente ligado ao Código de Defesa do Consumidor.

– Assistência média para todos os presentes no evento esportivo em curso;

– A criação da figura do ouvidor pelo mesmo estatuto, incumbido de receber reclamações e sugestões por parte dos torcedores, dirigidas aos organizadores dos eventos;

– Ampla informação e orientação acerca de cada ponto do estádio, além de pontos de atendimento aos torcedores para esclarecimento de qualquer informação de cunho mais trivial (esta última norma sendo obrigatória para estádios com mais de 20 mil assentos);

A lei foi inovada trazendo vários dispositivos visando a segurança nos estádios, no maior fomento às divisões inferiores e de base de todos os esportes de público, tornando-os mais competitivos, de melhor qualidade e capazes também de atrair um público espectador.

Ao analisar o histórico de violência envolvendo torcidas de futebol no Brasil, chega-se à conclusão de que esse é um problema social estimulado muitas vezes pela falta de punição para quem o pratica. As penas para quem pratica esse tipo de delito muitas vezes são viram prestação de serviço.

E você? Já presenciou alguma violência nos estádios? Conte nos comentários pra gente!

Fontes:

Estatuto do Torcedor – https://cdn.cbf.com.br/content/201210/244593910.pdf

https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/147061991/violencia-no-futebol-mais-um-titulo-desonroso-ao-brasil

http://buenoecostanze.adv.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2159&Itemid=63

http://odia.ig.com.br/esporte/2013-12-14/brasil-lidera-o-grupo-da-morte-e-sofre-com-violencia-nos-estadios.html