O futebol de botão já fez parte da infância de muuuuita criançada! Hoje, provavelmente, ele tá lá no fundo do armário dos nossos familiares.

Essa brincadeira, muito popular aqui no Brasil há algumas décadas, vem sumindo cada vez mais do dia-a-dia da garotada. Ela demanda um pouco de técnica e coordenação motora, e isso contribuiu para que ele fosse deixado de lado, sem contar que perdeu espaço pros jogos eletrônicos, que não necessariamente apresentam essas exigências. Contudo, a prática já foi tão expressiva que foi formalmente considerada um esporte, em 1988. Abaixo a gente confere um pouquinho mais dessa modalidade:

A sua origem não é muito bem determinada, mas tudo indica que ela pertence ao Brasil!

Alguns colecionadores contam que um grupo de jovens do Pará já brincavam de fazer gols com pequenos botões lá pela década de 20. Logo, o jogo chegaria ao Rio de Janeiro, onde, em 1930, o músico e publicitário Geraldo Décourt publicou o primeiro livro de regras oficial. Uma vez no Rio, o futebol de botão passou a ser difundido para vários outros estados. Décourt foi um incansável divulgador e organizador de eventos de futebol de mesa, o que propiciou o desenvolvimento do esporte, assim como sua popularização.

Agora, olha só que esquisito: naquela época, o jogo tinha um nome bem estranho: Celotex. Mas que diabos de nome é esse? É mesmo nome do material de que eram feitas as mesas.

Como o jogo ficou bem popular, cada região desenvolveu suas próprias regras e aí sim a brincadeira ficou coisa séria. Em 1988, o Conselho Nacional do Desporto reconheceu o futebol de botão como esporte legítimo, oficializando as três modalidades praticadas até hoje: baiana, carioca e paulista.

Modalidades

1. Baiana (1 toque)

Tempo: 25 x 25 min

Toque: Um coletivo e dois na saída de jogo

2. Carioca

Tempo: 25 x 25 min

Toque: Três coletivos e chute somente após um passe

3. Paulista (12 toques)

Tempo: 10 x 10 min

Toque: Três por botão, doze coletivos

Resumindo, a principal diferença entre elas é o número de toques que o praticante pode dar na bola a cada lance.

No começo, os jogadores eram feitos de qualquer material disponível: desde botões de casaco até pedaços de casca de coco. Tinha que ter muita imaginação mesmo para enxergar um craque da época neles. Já as as bolinhas, exigiam uma improvisação ainda maior. No início, valia apelar até para miolo de pão ou farinha de mandioca misturada com água. Hoje, elas são de plástico ou de feltro. Muuuito melhor, né!

Agora vamos acompanhar algumas mudanças do futebol de mesa ao longo dos anos 20 ao século 21

Obviamete, os materiais usados no futebol de botão foram modificados ao longo das décadas.

A Mesa

Os primeiros campinhos eram feitos de madeira maciça. Elas podiam ser lisas ou revestidas com placas de feltro – ou Celotex (lembra?), material feito a partir do bagaço da cana-de-açúcar. Hoje, as mesas são de aglomerado (serragem de madeira com cola).

Jogadores

Entre a década de 20 e a de 40, a maioria dos jogadores eram feitos de botões de casacos paletós. Alguns praticantes lixavam as bordas deles para que tivesse menos atrito no campo.

Fichinhas

Em meados dos anos 50, as fichas de plástico (antes só usadas nos cassinos), começaram a substituir os botões de roupa. Em alguns casos, elas eram polidas em pedras de mármore, com água e sapólio.

Tampas de relógio

Na década de 60, entraram em campo novos craques. As tampas eram pintadas e continham números e escudos de times.

Acrílico

O acrílico foi introduzido no início dos anos 70. Ele é usado até hoje. A estampas são impressas por silk screen.

Também de acrílico, os botões argola são os preferidos dos profissionais até hoje. Segundo eles, o furo faz com que a peça tenha um atrito mais regular com a mesa.

Bolinhas, Goleiros e Palhetas

As bolinhas, que já até foram feitas de miolo de pão, cortiça e lã, hoje são de plástico ou feltro. Os goleiros também são feitos de acrílicos. Essa resina também serve para produzir a palheta (peça usada para impulsionar os craques pela mesa), porém existe também alguns modelos de plástico e madrepérola.

Materiais alternativos

Na hora de montar um time de peso, vale tudo. Tem jogadores feitos de chifre de boi, de madeira e de casca de coco também!

Ok, agora que já conhecemos as modalidades, a evolução dos materiais e sua possível origem, vamos para algumas curiosidades sobre o futebol de botão?

Curiosidades

Dia próprio: Você sabia que tem um dia oficial pra quem pratica futebol de botão?

O dia do nascimento de Geraldo Décourt em 14 de fevereiro, foi oficializado pelo governador Geraldo Alckmin, em São Paulo, no ano de 2001, como o “dia do botonista”.

Os “Bolagol”

Eram botões fabricados pela “Plásticos Santa Marina” tendo de início o nome “Futebol Miniatura”; vinham em caixas de time simples ou em caixas de times duplos, as caixas eram assim:

– Caixa dupla com o nome antigo de “Futebol Miniatura”

– Caixa “Bolagol” simples, já com o nome Bolagol

Os fabricantes de botões “Bolagol” se empenharam em fazer uma das maiores coleções de times do Brasil e estrangeiros de que se tem notícia, ninguém fabricou tamanha diversificação de times de tantos estados brasileiros; a coleção é composta por aproximadamente 130 equipes entre brasileiras, seleções e estrangeiras.

Coleção “Onze de Ouro”

A “coleção onze de ouro” foi feita em homenagem às seleções brasileiras de 1958 e 62, equipes campeãs mundiais, e os times que possuíam jogadores nestas seleções e que tinham maior destaque à época no Brasil, que eram os paulistas; Palmeiras, Santos, São Paulo, Portuguesa e Corinthians; e os cariocas; Flamengo, Botafogo, Vasco, Fluminense e América.

Esta coleção teve 2 etapas, a primeira em 1964 e a segunda em 1965; eram botões vendidos em bancas de jornal, em pacotinhos com um botão dentro e para se conseguir as palhetas, goleiros e as traves era preciso trocar os “jogadores chaves” pelos mesmos.

A Estrela lançou, já na década de 1970, um novo botão, mais alto, porem mais barato e de menor qualidade que o famoso “canoinha”, eram eles “o estrela chutador”.

A empresa lançou também, após a série com os fotos dos jogadores, uma série com escudos dos clubes de futebol do Brasil. Massa!

 

Fontes:

http://www.futeboldebotao.com/regras.php

Futebol de Botão – A Sensacional História de Um Esporte Brasileiro