Já parou pra pensar sobre a importância do impedimento ou até mesmo como seria se não houvesse essa regrinha polêmica no futebol?

O impedimento é uma das regras mais complexas do futebol, porque envolve tanto o conceito de posicionamento em campo quanto a capacidade de avaliação por parte do árbitro da influência que um jogador pode exercer em um lance.

Sua função

A regrinha do impedimento serve pra deixar o jogo mais equilibrado evitando que um jogador fique na área do adversário aguardando um lançamento de bola para fazer o gol, assim não se precisaria de táticas dos técnicos para ganhar jogo.

Nós torcedores sempre temos um caso de amor e ódio com essa regra, principalmente quando se trata do jogo do nosso time de coração!
A regra tem seus aspectos básicos previstos na lei número 11 das leis do futebol.

A aplicação do impedimento depende do conhecimento das práticas de arbitragem que foram sendo construídas ao longo da história do futebol, numa espécie de “jurisprudência” que foi sendo incorporada na forma de aperfeiçoamento da regras.

Origem

Suas origens vem lá das escolas do século 19, quando os jogadores ficavam perto do goleiro adversário para receber a bola e marcar gols facilmente, sem qualquer infração às regras. Uma belezura que só!

Desde então, a regra do impedimento mudou um monte de vezes para se adequar ao ritmo do jogo.

A modificação mais recente foi feita em 2005, onde a FIFA determinou que a infração não deve ser marcada quando um jogador em posição de impedimento não se envolver na jogada.

História da lei

A lei do impedimento foi regulamentada em 1863, bem na época de quando foram feitos os primeiros regulamentos oficiais da história do futebol.

A regra dessa época dizia que um atacante, para não estar em posição de impedimento, teria que ter, pelo menos quatro jogadores a sua frente.

O objetivo da regra era evitar que um, ou mais atacantes ficassem em frente ao gol do adversário, esperando pela bola, sem participar de forma ativa na partida (o famoso “ficar na banheira”).

Alguns especialistas da época, achavam que o impedimento era uma regra inútil e que apenas ia atrapalhar no show do futebol, pois os zagueiros tem justamente a função de defender do adversário a sua própria área.
Além de que, nas peladas, havia árbitros do mesmo jeito e não se aplicavam todas as regras à risca, e o futebol fluia normalmente sem grandes problemas.

  • Em 1866, veio a primeira alteração: A quantidade de jogadores à frente do atacante passava de quatro para três.
  • Em 1907, veio a segunda alteração na regra: A infração só poderia ser sinalizada se o jogador estiver na outra metade do campo.
  • Em 1924, foi introduzido o conceito de impedimento passivo (quando há um jogador na condição acima mas não é ele quem recebe a bola e sim um outro que estava em condição legal. Neste caso o impedimento não deveria ser marcado, mas as vezes o bandeira/assistente erra e levanta seu instrumento de trabalho).

Mas a mudança que mudou a história do futebol veio mesmo em 1924, quando a quantidade de jogadores a frente do atacante diminuiu de três para dois.

Essa alteração tinha a missão de deixar a partida bem mais dinâmica. As partidas foram ficando mais movimentadas e a quantidade de gols aumentou bastante.

Em 1991 a regra teve outra mudança significativa. Antes, o jogador atacante que estivesse à mesma distância da linha de fundo adversária que seu penúltimo oponente, estava em posição de impedimento; a partir da mudança da regra, ele só estaria em posição irregular se estivesse mais próximo da mesma marca.

Resumindo a regra

De modo geral, para que um jogador esteja impedido, precisa-se dessas duas condições simultaneamente:
– Ele precisa estar em posição de impedimento;
– Ele precisa interferir na jogada em curso.

A posição de impedimento

A posição de impedimento depende dela própria de cinco condições para se configurar.

Um jogador estará em posição de impedimento somente se:
Condição 1: Um colega de time está tocando a bola enquanto executa um passe, uma cabeçada ou um chute a gol;
Condição 2: O referido passe não é uma cobrança de escanteio, um tiro de meta ou uma cobrança de lateral;
Condição 3: O jogador está no campo de ataque;
Condição 4: O jogador está mais próximo da linha de fundo adversária do que da própria bola;
Condição 5: Apenas um oponente está mais próximo da linha de fundo adversária do que o jogador.

Interferência na jogada

O simples fato de o jogador estar em posição de impedimento não implica a marcação automática da infração.
O árbitro só deve apitar tiro livre indireto, parando o jogo, quando o jogador interferir ativamente com a jogada em curso porque uma das três condições abaixo se cumprir:
Condição 1: O jogador participa ativamente da jogada – ao receber um passe ou tocar a bola, mesmo involuntariamente; ou
Condição 2: O jogador obtém vantagem de sua posição – ao aproveitar um rebote direto do chute, ou
Condição 3: O jogador atrapalha de forma ativa um oponente (seja por obstruir a visão, impedir seus movimentos, ou o enganar com uma finta de corpo).
Punição
A punição para uma infração de impedimento é um tiro livre indireto para o time adversário, cobrada no ponto onde o jogador em posição irregular se encontrava.

Quem é que marca o impedimento?

Normalmente quem marca o impedimento é o “bandeirinha” (árbitro assistente) que averigua o impedimento. Se ele desconfiar que um jogador está impedido, ele vai levantar sua bandeira para sinalizar sua opinião ao árbitro principal.
Depois disso, o juiz apita e levanta o braço, parando a jogada. Porém, se o juiz discordar do assistente, ele poderá desconsiderar sua opinião e não marcar o impedimento, pois quem é a autoridade da partida é ele.

E se não houvesse essa regra?

Se o impedimento acabasse de vez, a área ficaria liberada para os atacantes e alguns zagueiros seriam fixados ali.

Com essa galera toda colada às traves, aumentaria o número de faltas perigosas, pênaltis e gols, principalmente os de cabeça, uma especialidade européia. Aí a estatura dos craques seria decisiva nessa hora.

 

Sem contar que se não houvesse a regra mais polêmica do futebol, sobre o que mais discutiríamos nos botecos?