Você sabe o que são os famosos ‘gatos’ no futebol? Calma, que o artigo de hoje não é sobre os bonitões bons de bola!

Chegou a hora de falarmos sobre a fraude na idade dos jogadores. Já era hora!

Os “gatos” são os jogadores que alteram suas certidões de nascimento para reduzir a idade no documento. Essa pratica os beneficiam em relação aos demais garotos concorrentes das categorias de base dos clubes de futebol. Infelizmente é um engano total. O documento pode acusar uma data, mas o rendimento não tem como ser mascarado. Atleta, sabe-se, quanto mais jovem, na maioria dos casos, mais perfil de força e físico tem para levar as partidas.

Não sei se vocês se lembram na edição 2017 da Copa São Paulo de Futebol Jr., o Paulista de Jundiaí foi excluído da competição (detalhe: o clube estava na final) por causa de um “gato” com um dos seus atletas. O zagueiro Brendon Matheus – que na verdade se chamaria Heltton Rodrigues (nascido em 1994, mas foi registrado como se tivesse nascido em 1997) Ou seja: três anos mais novo.

Digamos assim que o futebol é um esporte no qual a lei, em alguns contextos, fica à desejar… A violência dentro de campo é muitas vezes estimulada pelos treinadores para “impor respeito” sobre os adversários.

Xingamentos que em qualquer situação cotidiana levariam o agressor para ver o sol nascer quadrado, porém durante a partida, são gritados com orgulho por torcidas nas arquibancadas.

No cenário espotivo, creio que absolutamente nenhum crime compensa mais do que o “gato”, ou a adulteração da idade para buscar mais oportunidades na base. O futebol é um mercado cruel muitas vezes.

Heltton ou Brendon (que treta) não foi o primeiro e com certeza não será o último. A lista é longa e conta com nomes que passaram por seleções de base como Sandro Hiroshi, Anaílson, Carlos Alberto (ex-Figueirense), Elkeson e muitos outros. E olha só, vejam vocês, sabem quantos desses jogadores ou pessoas que fizeram o “gato” deles foram presos ou foram suspensos por um bom tempo? Adivinha?

Se você pensou em zero para a resposta, acertou. Todos eles seguiram suas carreiras como se quase nada tivesse acontecido. Alguns ajustaram a identidade futebolística ao seu nome (ou nem isso em alguns casos, Emerson Sheik se chama Márcio, mas ninguém o chama assim no mundo do futebol), e baile que segue!

Isso é crime. E pesado ainda. O crime de falsificação ideológica, enquadrado no artigo 299 do Código Penal Brasileiro, prevê reclusão de um a cinco anos ou multa. O Sheik até chegou a ser condenado a três anos e nove meses de prisão, mas teve a pena revertida em multa e serviços comunitários. Outros cumpriram três, no máximo seis meses de suspensão e seguem jogando numa boa. 

Vamos pensar a fundo nisso. A prisão, para o jogador, talvez seja realmente injusta. Imagina você sendo um moleque de 14 anos que sonha ser jogador de futebol e é capaz de tudo para chegar a esse sonho e sair da pobreza para ajudar sua familia. Se alguém de sua confiança te dizer pra bater a cabeça na parede ou rasgar dinheiro é o caminho, você certamente vai se sentir tentado a seguir esse conselho. Além do mais, alguém que falsifica a identidade para jogar futebol não representa, normalmente, perigo real para a sociedade, embora deva pagar pelo crime que cometeu. 

Talvez o mais correto seria, uma suspensão esportiva de um ou dois anos, no entanto, se faz necessária, e o motivo é simples: o “gato” toma o lugar de alguém com a idade certa e desenvolvimento mais tardio. Na maioria das vezes, porém, não da nada.

Uma das coisas mais preocupantes dessa situação é que, em alguns casos, quem procura e faz o gato é o próprio pai do garoto. E a certeza da impunidade acaba com qualquer chance de arrependimento.

Tem até relatos de jogadores que pegam a identidade do irmão mais novo, ou de um primo mais novo. Mais absurdo ainda, tem pais que registram o filho dois, três anos depois de nascido, já pensando em uma carreira para ele no futebol. É o famoso “gato legalizado”, quase impossível de pegar. Pasmem.

Os clubes, em muitos casos, são vítimas, como é provável que o Paulista tenha sido, e são os principais punidos nas situações. Os grandes clubes chegam a fuçar os cartórios das cidades de seus jogadores, buscando irregularidades. Muitas vezes encontram casos na própria base e dispensam o jogador na calada, sem muito alarde. No caso de um clube endividado como o de Jundiaí, imagina-se que a condição de correr atrás dessa documentação é menor.

Como nem tudo são flores e nem todo mundo é 100% inocente, apesar de serem vítimas no processo, os clubes também contribuem para ele, na medida em que privilegiam a força física como critério de seleção dos atletas em detrimento da qualidade técnica. Muitos treinadores fazem vista grossa para jogadores suspeitos, pois sabem que a imposição física deles pode ajudar a ganhar jogos e, consequentemente, ajudá-los a subir na carreira. 

O jogador tem que identificar qual será seu momento certo para a transição. Se o jogador consegue subir e jogar no time de cima por um, dois anos, o gato descoberto pode desvalorizá-lo, mas não a ponto de fazer com que ele suma do mercado. O atleta geralmente é julgado pelo que produz dentro das quatro linhas, e não pela conduta ética fora de campo.

Dentro desse cenário, é possível supor, que há, sim, muitos “gatos” que conseguem realizar o sonho de se tornar jogadores importantes do futebol brasileiro e jamais são descobertos. Lógico que tem. E mesmo se fossem descobertos hoje, já estariam afirmados e com uma carreira sólida. Eles seriam pouco afetados pelo crime que cometeram, e que os ajudou na hora de sair dos tempos de vacas magras. E mais, seriam apenas mais um capítulo de uma história que não se encerrará com o caso Brendon, ou Heltton.

Agora, selecionamos 5 casos de ‘gatos’ no futebol:

Confira a lista dos maiores “gatos” da história do futebol:

1- Anaílson

O jogador que começou sua carreira no São Caetano nasceu em 1978 e adulterou sua certidão de nascimento para o ano de 1980, reduzindo sua idade em 2 anos. Parece inofensivo né? Pois é! Em 1999, foi julgado e pegou suspensão de 180 dias fora dos gramados.

2- Carlos Alberto

Nascido em 1978, o jogador se tornou destaque no Figueirense e chamou a atenção dos grandes clubes. Com tanta exposição, ele acabou sendo descoberto. Sua certidão foi alterada para o ano de 1983 e com um “gataço” de 5 anos, Carlos Alberto foi suspenso por um ano. No entanto, conseguiu reduzir sua pena para 6 meses, além do pagamento de 100 cestas básicas.

3- Elkeson

Ainda com 13 anos de idade, ainda nas categorias de base do Vitória, o jogador revelou a sua verdadeira idade. Nascido em 1989, a certidão de nascimento do jogador foi alterada para o ano de 1991, um “gato” de dois anos a mais. O jogador não foi punido pelo fato de ter revelado o fato ainda nas categorias de base do clube. Ufa!

4- Sandro Hiroshi

Sandro nasceu no ano de 1979. Ele protagonizou um dos casos de “gato” mais famosos do futebol brasileiro. Para entrar no time dente de leite do Rio Branco de Americana (SP), o jogador teve seu documento alterado para o ano de 1980, um aninho só a mais em sua certidão de nascimento. Em 1999, a fraude foi descoberta e o jogador foi punido com 180 dias de suspensão.

5- Rodrigo Gral

O jogador que teve passagens pelo Grêmio e pelo Flamengo também foi “gato”. Nascido em 1977, Rodrigo foi envolvido em um esquema que diminuiria sua idade em 2 anos. A história foi revelada pelo próprio jogador, que foi isento de punição. Honestidade nunca é tarde, né!

Vocês sabem mais casos de ”gatos” por aí?

Fontes:

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2018/01/1947607-gato-da-copa-sao-paulo-se-prepara-para-retomar-carreira-na-serie-a2.shtml

https://gauchazh.clicrbs.com.br/esportes/inter/noticia/2014/11/Relembre-casos-famosos-de-jogadores-brasileiros-que-adulteraram-a-idade-4647063.html