Frequentemente escutamos falar sobre casos de doping no futebol, mas como isso funciona? Como age no corpo dos atletas?

Os anabolizantes são substâncias naturais ou sintéticas geralmente derivadas do hormônio testosterona, desenvolvidas e usadas para tratamento de doenças onde há grande consumo do corpo, como câncer, grandes cirurgias, graves desnutrições, e também em casos de deficiência do hormônio testosterona.

Seu uso se dá por via oral ou de modo injetável e sempre deve ser orientada por um médico especialista nesse tipo de tratamento. Mas, como já é amplamente conhecido, muitas pessoas, especialmente fisiculturistas e atletas, fazem o uso inadequado e/ou excessivo dessas substâncias sem supervisão, visando ganho muscular rápido, melhora de performance esportiva e recuperação acelerada de lesões musculares e ósseas. São vários efeitos colaterais, porém mais comuns ao uso inadequado dos anabolizantes esteroides incluem acne, queda de cabelo, arritmias cardíacas, edemas corporais, alteração nos níveis de colesterol (diminuição do “bom” colesterol e aumento do “mau”), afinamento de voz nos homens, voz grossa e crescimento de pelos em mulheres, hipertensão arterial e esterilidade.

É considerado doping o uso de qualquer medicamento ou droga que seja capaz de aumentar o desempenho dos atletas durante uma competição. Também é considerado doping o uso de substâncias que não tragam necessariamente ganho esportivo como a maconha.

Aquele que opta pelo doping, acaba levando uma vantagem desleal em relação aos que não o fazem, por isso é considerado antiético e é proibido no esporte. O teste antidoping serve para detectar essas substâncias e sua quantidade no organismo dos atletas, que são classificadas pela Agência Mundial de Antidoping.

O motivo dele ser proibido é justamente para assegurar que os competidores tenham as mesmas condições. Desse modo, é garantido que as regras desportivas estabelecidas sejam devidamente respeitadas, permitindo-se que os atletas, seja individualmente ou em equipe, possam disputar as competições em jogo limpo.

Com o objetivo de padronizar as regras do doping e suas substâncias proibidas, em 1999 foi criada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), a Agência Mundial Antidopagem (WADA).

A WADA, criou um Código Mundial Antidopagem que deve ser respeitado por todas as Federações que são filiadas ao Comitê Olímpico Internacional.

O futebol, como modalidade olímpica, tem a obrigação de seguir todas as regras antidopagem estabelecidas pela agência. Assim, caso um jogador de futebol faça uso de algum estimulante, diurético, anabolizante ou hormônio, o atleta será punido. O doping pode causar até mesmo o banimento do esporte.

É importante destacar, que os atletas de ponta influenciam a massa e principalmente os mais jovens, que, muitas vezes, espelham seu comportamento e atitudes nos seus ídolos. Devido a isso, existe um movimento mundial no combate à fraude de resultados desportivos por meio de substâncias proibidas e, para que as competições tenham sua credibilidade asseguradas, é imprescindível que haja punições severas aos atletas que utilizem substâncias dopantes.

Teste antidoping – Como é feito?

Pode parecer estranho, mas pouca gente sabe como os atletas são sorteados para fazer o exame antidoping. Vamos lá!

Antes de tudo, o teste é feito com urina (é por ela que são eliminadas as substâncias tóxicas ao organismo). Para fazer o exame, o atleta vai para o controle de doping. Lá é feita a coleta da urina na presença de um responsável do evento de mesmo sexo, para que não haja fraude na coleta. Após a coleta, são analisados o pH e o volume da amostra, que depois é transferida para dois recipientes: prova e contraprova e enviada ao laboratório olímpico.

Se forem encontradas substâncias proibidas na prova, um novo exame com a amostra contraprova são feitos, obedecendo aos mesmos critérios do primeiro exame.

Caso os resultados da contraprova também sejam positivos, a infração do esportista é informada ao órgão que controla o processo e o atleta é punido, podendo ser eliminado da competição ou até julgado pelo comitê. O laudo do exame é entregue em envelope lacrado primeiramente ao órgão responsável, e não ao atleta.

As substâncias proibidas são classificadas em quatro grupos na maioria das vezes:

– Esteroides anabolizantes: aumentam a massa muscular e diminuem o tempo de recuperação. (São consideradas as substâncias mais nocivas).

– Estimulantes: agem diretamente no sistema nervoso, tornando o atleta mais excitado. São capazes de eliminar a sensação de fadiga e potencializar o desempenho do atleta. Dentre as mais comuns estão a anfetamina, a cocaína e o ecstasy.

– Narcóticos analgésicos: têm o poder de amenizar a dor e são usados com maior frequência no ciclismo e no pugilismo. Morfina e derivados são exemplos de doping dessa classe.

– Diuréticos: atuam na eliminação de água do organismo para que haja perda de peso, além de serem utilizados também para eliminar outras substâncias proibidas.

O doping é perigoso e pode acarretar inúmeros efeitos colaterais como comportamento agressivo, acne, lesões hepáticas, sudorese excessiva, insônia, arritmia cardíaca, acidente vascular cerebral, cânceres, entre outros.

Casos de doping no futebol

Caso Guerrero (2017): Recentemente tivemos Guerrero que foi flagrado no exame antidoping feito depois do jogo entre Peru e Argentina, no começo de Outubro, pelas eliminatórias. A comunidade futebolística ficou chocada com a notícia pois o atacante do Flamengo foi provisoriamente suspenso pela FIFA.

Caso Jobson (2009): O atacante, responsável por manter o Botafogo na Série A do Brasileirão em 2009, deu positivo no exame antidoping para cocaína. Ele foi flagrado em duas partidas: uma em Novembro (Coritiba) e a outra em Dezembro (Palmeiras). No julgamento, ele confirmou o doping, mas disse que consumiu outra droga. De início ele ficou suspenso por 2 anos, mas teve a pena reduzida para 6 meses. Em Julho de 2010 retornou aos campos novamente com a camisa do Botafogo.

Caso Michael (2013): O atacante foi flagrado no exame antidoping pelo uso de cocaína em Abril de 2013, dia da vitória do Fluminense (seu clube na época) sobre o Resende por 2 a 0. Na época, o Fluminense confirmou que o jogador assumiu ter usado cocaína e até dispensou o exame de contraprova.

Caso Dodô (2007): O atacante defendia o Botafogo quando o exame antidoping acusou o uso de anfetamina na urina dele. O controle antidopagem foi feito no dia 14 de junho, após o time alvinegro vencer o Vasco por 4 a 0, pelo Campeonato Brasileirão.

Inicialmente, ele foi punido pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) com uma suspensão preventiva de 30 dias. Depois, levou 120 dias de suspensão. No entanto, acabou sendo absolvido após recurso do Botafogo.

Mas nem tudo foram flores para o atacante. A pedido da FIFA/WADA, a CAS (Corte Arbitral do Esporte) julgou o caso e, em 11 de setembro de 2008, suspendeu Dodô por dois anos, o liberando para retornar aos gramados apenas em 7 de novembro de 2009.

Lembrando que, quando a suspensão foi anunciada, Dodô estava sem clube. Depois de cumprir a pena, ele teve dificuldade para conseguir outra equipe (isso só aconteceu Dezembro de 2009), quando assinou com o Vasco.

A substância encontrada na urina de Dodô foi fruto de uma cápsula de café desenvolvida pela nutricionista do Botafogo e dada aos jogadores. Apesar de ter tido “culpa” no caso, o Botafogo não recebeu punição alguma.

Caso Lopes (2000): O meia Lopes, do Palmeiras na época, foi flagrado no jogo contra o Atlético-MG, em Novembro de 2000, pelo uso de cocaína. Lopes acabou suspenso por 120 dias, a pena mínima na época. O Palmeiras deu todo o suporte necessário ao jogador e chegou até a renovar o contrato com ele.

 

Fontes:

http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0607/esteroides/metodos.html
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/doping/index.shtml
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-e-feito-o-exame-antidoping
http://listas.cev.org.br/cevdopagem/2004-September/000953.html