VAR: Conheça como funciona essa nova onda do momento!

Em Agosto na Europa, alguns campeonatos nacionais trouxeram essa tecnologia-novidade para reduzir as polêmicas que envolvem a arbitragem. O árbitros de vídeo tem foco nos momentos de gols, incidentes dentro da área, cartões vermelhos e possíveis erros na identificação de jogadores punidos.

Quem está ligado nesses campeonatos pode perceber como a arbitragem de vídeo tem feito a diferença nas partidas. Mesmo com um pouquinho de demora para dar uma decisão final, os VAR’s são de extrema importância dentro do jogo. É impissível definir um lance em pouquíssimos segundos. É preciso rever a cena e chegar a uma conclusão.

O árbitro de assistente de video (VAR, “video assistant referee “ em inglês) é um árbitro assistente de futebol da associação que analisa as decisões tomadas pelo árbitro principal com o uso de imagens de vídeo e um fone de ouvido para comunicação.  Geralmente é uma equipe composta por 3 pessoas que trabalham juntas para rever determinadas decisões feitas pelo árbitro principal ao assistir a replays de vídeo dos incidentes relevantes.

Calma que a gente já explica!

O árbitro de vídeo é um juiz que tem a mesma formação técnica do árbitro “normal” que atua no campo, a única diferente é que o de vídeo   tem o auxílio de imagens de televisão para ajudar o árbitro principal quando detectado um erro claro. Igual no campo, ele conta com dois ajudantes no estúdio.

O VAR é um conjunto de câmeras que transmitem as imagens para uma sala isolada do campo, onde assistentes de vídeo podem rever e analisar as jogadas. Existem apenas quatro tipos de lances que podem ser revistos. Esta assistência pode ocorrer se o árbitro pedir (em caso de dúvidas em uma das jogadas que podem ser revistas), ou caso os assistentes observem um lance duvidoso e comuniquem o juiz da partida pelo do fone de ouvido.

Mas, qual o objetivo do uso do VAR?

Simples. É para evitar erros claros e ajudar o árbitro central na hora de tomar decisões.

Quando pode ser utilizado o árbitro de vídeo?

Inicialmente, em quatro situações: gols, pênaltis, cartões vermelhos e confusão de identidade.

Gols: O papel dos VARs é ajudar o árbitro a determinar se houve uma infração que significa que um objetivo não deve ser concedido. À medida que a bola cruzou a linha, o jogo é interrompido, portanto não há impacto direto no jogo. Inicialmente, pensava-se que o VAR não poderia corrigir o impedimento, porque este não é mencionado nas quatro situações (gols, pênaltis, cartões vermelhos e erros de identidade), mas, na verdade, o sistema está habilitado para reverter qualquer ação que possa ter influenciado um gol. Neste caso, o ritmo do jogo não é atrasado, porque o gol em si já paralisa a partida.

Pênalti: Os assistentes asseguram que a decisão correta seja tomada ao se marcar (ou não) um pênalti.

Cartões vermelhos: O árbitro de vídeo ajuda a garantir que um jogador receba a merecida punição em caso de dúvida sobre se houve falta ou infração.

Erro de identidade de jogadores: O árbitro adverte ou envia o jogador errado, ou não tem certeza de qual jogador deve ser punido. Os VAR informarão o árbitro para que o jogador correto possa ser disciplinado.

Como funciona a dinâmica do árbitro de vídeo?

Quando um possível erro claro é detectado, ele comunica ao árbitro central. Este, se avaliar que é necessária a revisão, tem de obrigatoriamente fazer o sinal de uma tela com as mãos e tomar uma decisão posterior, baseada na análise das imagens.

Como funciona o mecanismo?

  1. Ocorre o incidente: O árbitro informa os VARs, ou os VARs recomendam ao árbitro que uma decisão ou incidente seja revisada.

 

  1. Revisão: A pedido do árbitro ou dos assistentes de vídeo, a jogada é revista através de monitores com diferentes tomadas de câmera. Os assistentes ficam em uma sala dentro do estádio e somente eles e o árbitro podem ver as imagens. As imagens de vídeo são revistas pelos VARs, que aconselham o árbitro via fone de ouvido o que o video mostra. O árbitro pode ver as imagens em um tablet na lateral do campo. As imagens comprovam que não há violação do regulamento.

 

  1. Decisão: O árbitro decide revisar as imagens de vídeo no lado do campo de jogo antes de tomar a ação ou decisão apropriada.

Quem toma a decisão final?

Sempre o árbitro central. O árbitro de vídeo só orienta e alerta o comandante do jogo, mas a decisão deve ser tomada por quem está em campo.

Os jogadores e técnicos podem pedir revisão?

Não. A orientação é advertir os treinadores e punir com cartão amarelo os jogadores que sugerirem ao árbitro uma revisão por vídeo. Pesado, né?

No Brasil…

A Conmebol vai fazer uso do árbitro de vídeo nas semifinais e finais da Taça Libertadores da América deste ano. Com o objetivo minimizar os erros e as polêmicas, ela preparou uma equipe de árbitros e contratou uma empresa especializada para monitorar os jogos e colocar em prática o uso dos VAR’s. O mesmo recurso já foi utilizado pela FIFA na Copa das Confederações e será utilizado na Copa do Mundo de 2018 na Rússia.

A CBF decidiu utilizar o árbitro de vídeo a partir da próxima rodada do Brasileirão. Não é obrigatório o uso dele em todos os jogos, nem dentro da mesma rodada. Serão observadas “condições técnicas e materiais”.

Veja o que diz o regulamento do Campeonato Brasileiro:

“Art. 75 – A CBF poderá utilizar a tecnologia em arbitragens nas competições nacionais que coordena, adotando a forma, termos e limites constantes do projeto que elaborou e do respectivo protocolo determinado pela International Football Association Board – IFAB, que passam a fazer parte integrante e indissociável deste RGC.

Art. 76 – Será de responsabilidade exclusiva da CBF e de sua estrutura de Arbitragem – Comissão, Departamento e Escola, sob a coordenação do Líder e instrutor de árbitros, como representantes da entidade na IFAB, dar toda a orientação a todos os envolvidos na tecnologia da arbitragem.

Parágrafo único – Incumbe à CBF designar as pessoas que atuarão no processo de tecnologia de arbitragem: árbitros, árbitros assistentes, quarto (4º) árbitro e Árbitros de Vídeo (AV), sendo que estes poderão ser árbitros em atividade, ou ex-árbitros integrantes da estrutura de Arbitragem, ou instrutores de arbitragem internacionais e/ou nacionais vinculados à CBF.

Art. 77 – O uso de “AV” deve ocorrer, a partir do momento em que a Comissão de Arbitragem da CBF apresente condições técnicas e materiais – o que poderá se dar no curso de qualquer das competições que coordena, independentemente de fase.

  • 1º – A CBF não está obrigada a utilizar a tecnologia da arbitragem em todos os jogos da mesma competição ou da mesma rodada, na medida que depende de condições técnicas e materiais para fazê-lo.
  • 2º – Somente o “AV” da CBF é válido para as decisões oriundas dos árbitros que têm a natureza fática e são definitivas nos termos da regra nº 5 do Futebol e do protocolo da IFAB.
  • 3º – A eventual existência de outros vídeos com outros ângulos obtidos em partidas com transmissão direta são oficiosas e não afetarão as decisões da arbitragem, seja para impugnação do resultado, seja para obter qualquer espécie de reparação pelos clubes disputantes ou por terceiros.”

A tecnologia não veio para gerar polêmica entre comentaristas de futebol. Os árbitros de vídeo vieram para enfim trazer justiça dentro de campo.

E aí, o que vocês acham dessa novidade?

Fontes:

https://football-technology.fifa.com/en/media-tiles/video-assistant-referees-var/

https://www.engadget.com/2017/08/18/bundesliga-video-assistant-referees/

http://www.goal.com/en-us/news/what-is-var-the-video-assistant-referee-systems-world-cup/19m696jq7onm618n3v9oqs02ab

https://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2017/09/24/cbf-marca-curso-e-arbitro-de-video-so-deve-acontecer-apos-eliminatorias.htm

http://esporte.ig.com.br/futebol/2017-09-18/arbitro-de-video-brasileiro.html

http://www.cbf.com.br/noticias/arbitragem/brasil-fara-uso-inedito-do-arbitro-de-video#.Wcq11siGPBU

http://www.cbf.com.br/noticias/arbitragem/arbitro-de-video-recurso-ajuda-a-definir-penalti#.Wcq148iGPBU