Depois da treta da Copa de 2014 e os rumores de que o Brasil vendeu o jogo pra Alemanha, chegou a hora de relembrar a polêmica de 98 na internet nas terras tupiniquins.

Essa teoria circula há mais de 15 anos e a versão é de que a derrota do Brasil por 3 a 0 para a França na final da Copa de 1998 tenha sido uma grande marmelada. Resgatamos a origem dessa interminável discussão do futebol, que no dia 12 de julho completará 20 anos.

Beleza, mas você já se questionou de onde surgiu a informação? Se não… já está na hora!

Vamos lá!

Pasmem, mas a fonte é um cracker. Os crackers são pessoas fanáticas por informática que fazem uso de seu enorme conhecimento na área para quebrar códigos de segurança, senhas de acesso a redes e códigos de programas com fins criminosos. Muitas vezes o termo “Pirata Virtual” é usado como sinônimo para cracker. Resumindo a história, em Julho de 1998, o site da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) foi invadido. Os “hackers” substituíram a página de abertura por um texto que dizia que o Brasil havia perdido a Copa do Mundo de 1998 para poder ser a sede da Copa de 2002. Também continha uma foto da seleção com uma tarja vermelha em sua diagonal.

A denúncia

O texto informa que o Brasil teria “vendido” a Copa do Mundo, em troca de ter a sede da Copa de 2002. Os hackers colocaram no alto da página falsificada a frase “Welcome to the World Hacked Cup 98”.

O símbolo da CBF foi substituído por uma ilustração onde se lia “Confederação Bostial de Futebol”. Uma tarja vermelha foi colocada sobre a foto da seleção. 

Os redatores anônimos desabafaram total: citaram vários nomes e valores, mas apresentaram evidências furadas. No final das contas, os asiáticos receberam o Mundial quatro anos depois normalmente.

A galera ainda disse, que a Copa de 2006 seria no Japão e na Austrália… Vish, mais furo. A Copa rolou na Alemanha. Disseram também que os craques que entregaram o jogo de mão beijada aos franceses teriam patrocínio vitalício da Nike dali em diante, o que jamais foi confirmado.

Os caras ainda ousaram e afirmaram que a denúncia da marmelada ia ser confirmada mais pra frente pelos jornais The Wall Street Journal e Gazzeta dello Sport, mas escreveu errado os nomes dos diários, que nunca publicaram a tal da denúncia. Ué!

O texto apresentou alguns errinhos digitação e de português. O mais gritante foi “a perca do título”. Dor nos olhos!

Os piratas deixaram como assinatura da página quatro apelidos: “sp1n”, “asylum”, “n4rfy”, “blast” e “smux”.

Preicisamos reconhecer por um lado que os autores acertaram pelo menos um palpite, de que o Brasil seria campeão em 2002. Amém! De fato, nós fomos campeões, mas nenhum escândalo de arbitragem ou de bastidores foi associado à Copa de 2002, contradizendo o texto.

Ok, mas por quê então que o boato pegou?

Mesmo com tanta informação desencontrada, as denúncias ganharam o mundo. Em vez de se manifestar devidamente, a CBF só tirou do ar o site invadido, alegando ser temporário e que seria mesmo desativado logo depois da Copa de 1998.

Ia levar um boooom tempo para a CBF ter uma nova página. Somente em março do ano seguinte que foi anunciada a criação de um novo site oficial da entidade. Essa comunicação falha e lenta alimentou mais o boato.

Algumas coisinhas a mais contribuíram para que a história criada pelos ‘vândalos online’ corresse solta

A Internet no Brasil era novata. Em 1998, estimava-se que somente 0,67% da população tivesse acesso à rede (hoje são 57,8%). A banda larga só chegou aqui em 1999. Sem acesso direto à página de origem, as pessoas não faziam distinção entre uma notícia e um texto amador. Foi quase aquele negócio: “se tá na internet é verdade”. Chega a ser até cômico!

Outra coisa que colaborou muito para o boato se tornar gigantesco, foi a pouca confiabilidade da CBF (o que, convenhamos, não mudou muito, né). Denúncias de corrupção contra a entidade caminhavam para o auge. Ricardo Teixeira, então presidente da entidade, e a Nike seriam alvo de uma CPI no ano 2000.

Nesse contexto, a venda de um mundial por interesses financeiros realmente parecia verdade.

Para alimentar mais ainda esse fogaréu de boatos, o atacante Ronaldo sofreu convulsão pouco antes da decisão da Copa. As explicações desencontradas sobre o que de fato aconteceu no vestiário também fomentaram o rumor.

O dinheiro da Nike

Como sempre, o que motiva as pessoas a acreditarem nessa teoria é o fato do “caminhão” de dinheiro despejado pela Nike no colo de Ricardo Teixeira envolvendo até situações inusitadas por exemplo: Em 1996 a Nike pagou 10 milhões de dólares a Umbro para rescindir seu contrato com a seleção brasileira. A Nike pagou 160 milhões de dólares em um contrato de 1996 a 2006, o maior e mais caro contrato de patrocínio na época.

Toda esta movimentação foi intermediada pelo empresário José Hawilla da Traffic (empresa de marketing e publicidade esportiva) este que foi condenado recentemente nos EUA como pivô de um dos maiores escândalos do futebol mundial em que pagava propina a dirigentes de futebol do mundo todo. Hoje ele depõe no “Caso FIFA” junto com outros nomes fortes do futebol mundial.

A gravação de Edmundo

Logo após a derrota para a França, vaza uma gravação na qual Edmundo (que substituiu Ronaldo após a suposta convulsão) dizendo que a Nike teria feito um contrato com a CBF que obrigava a escalação de escalar Ronaldo. Obviamente a Nike negou e Edmundo disse que era uma gravação falsa. E não era!


Segue abaixo um trecho do áudio:

“A Nike tem força (na seleção). Ela negociou direto com o presidente. Quer dizer, o presidente é que levou a porcentagem na negociação”, diz o jogador.
Edmundo diz que “o negócio da Nike é uma coisa verdadeira”. “Tem um contrato que o Ronaldo tem que jogar todos, todos os jogos, os 90 minutos.”

Graças a este áudio foi instaurada a primeira CPI do futebol da história onde nomes como Ricardo Teixeira, Ronaldo e o próprio Edmundo tiveram depoimentos colhidos.

No final o a CPI acabou em pizza, ninguém foi preso e o mistério sempre vai estar no ar já que nenhum jogador mais toca no assunto e o caso foi completamente enterrado pela CBF.

E só para lembrar, lá se vão 22 anos de parceria entre CBF e NIKE.

Recentemente, a polêmica sobre a copa de 1998 voltou a tona quando Michel Platini (ídolo do futebol francês e membro do comitê organizador na época) revelou que houve uma alteração no sorteio para que o Brasil enfrentasse a França somente na final. 

– Não nos estressamos por seis anos para organizar uma Copa do Mundo e não fazer algumas pequenas travessuras. Você acha que os outros não fizeram isso em suas Copas? França x Brasil na final era o sonho de todo mundo”.

Completou o ex-jogador.

Agora que já entendemos direito essa confusão, vamos conferir algumas curiosidades dessa polêmica Copa?

Michel Platini confirma trapaça

Ex-presidente da UEFA disse que a organização do Mundial posicionou seleção anfitriã no grupo C e a seleção brasileira no A de forma proposital.

Com suas palavras: “França x Brasil na final era o sonho de todos” disse Platini à rádio France Bleu Sport.

Ele afirmou que “um pequeno truque” foi usado no sorteio da Copa do Mundo de 1998 para aumentar as chances de França e Brasil se encontrarem na final.

O ex-jogador da França e da Juventus foi co-presidente do comitê organizador da Copa do Mundo em 1998, e admitiu que as alocações do grupo para equipes semeadas foram feitas de olho em uma final “dos sonhos”.

O Brasil foi colocado no Grupo A, assim como a prática padrão na época para os atuais campeões. A França, os anfitriões, foram então colocados no Grupo C (o que significa que, se ambas as equipes semeadas venceram seus grupos, não puderam se encontrar antes da final).

Foi assim que aconteceu, com a França batendo o Paraguai, a Itália e a Croácia antes de superar o Brasil por 3 x 0 no Stade de France com dois gols de Zidane.

Curiosidades

  1. A Copa de 1998 divide com a de 2014 o recorde de maior número de gols. Foram 171 no total.
  2. Foi a primeira vez que a Jamaica participou de um Mundial.
  3. Dos 16 pênaltis marcados na Copa da França, apenas um foi desperdiçado. A penalidade perdida pelo iugoslavo Mijatovic na partida contra a Holanda interrompeu uma série de 39 cobranças bem-sucedidas em Copas.
  4. O uso do marcador eletrônico que o árbitro reserva usava para avisar ao público o tempo de acréscimo, foi a grande novidade dessa Copa.
  5. Três brasileiros defenderam outros países: o meia Wagner Lopes (Japão), o atacante Oliveira (Bélgica) e o lateral Clayton (Tunísia).

 

Fontes:

http://www.meionorte.com/blogs/heraldoalves/a-copa-de-1998-foi-vendida-129915

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk17079814.htm

CURIOSIDADES DA COPA: 1998, França (Ronaldo fora da final?)

https://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/platini-cita-pequena-trapaca-para-que-franca-pegasse-brasil-na-final-em-1998.ghtml