A torcida do Dínamo de Kiev ofendeu o brasileiro, que, em reposta, mostrou o dedo do meio e chutou uma bola em direção à torcida.

O fato, ocorrido no clássico entre Shaktar e Dínamo de Kiev, rendeu ao jogador a suspensão em uma partida. Quanto ao Dínamo de Kiev, a Associação de Futebol da Ucrânia determinou que o clube deve (i) jogar uma partida sob portões fechados e (ii) pagar uma multa de 500 mil Grívnia (quase R$90.000). Uma punição pífia para uma conduta abominável.

Punir um atleta vítima de ofensas raciais ultrapassa os limites do absurdo. É extremamente revoltante saber que um jogador, além de ter sido atacado com uma das mais baixas ofensas, não teve o mínimo de amparo institucional na maior entidade do futebol no país em que atua.

A FIFPRO, associação internacional de jogadores, publicou uma declaração na qual manifesta sua discordância em relação à punição aplicada a Taison:

“Estamos muito desapontados com a decisão da Associação de Futebol Ucraniana de Futebol de suspender o Taison por um jogo. Punir uma vítima de abuso racial vai além da compreensão e joga a favor daqueles que promovem esse comportamento vergonhoso.”

Mais uma vez, fica evidente como o futebol é conivente com episódios de preconceito. Situações como essa reforçam a certeza de que acabar com o racismo é uma tarefa bastante difícil. Além de lidar com a estupidez de quem ofende atletas negros (atos pontuais), precisamos encarar o racismo como estrutura basilar da sociedade.

É muito mais do que gritos no meio da torcida ou uma banana atirada no campo. O racismo é um conjunto de fatores culturais que reforçam a ideia de que negros são, de alguma forma, inferiores.

Trazendo para a realidade esportiva brasileira, o caso do goleiro Aranha, por exemplo, deixa bem claro que não somente os torcedores que ofenderam o goleiro acreditam que ele fosse merecedor das ofensas racistas.

Depois do ocorrido, dirigentes gremistas acusaram o goleiro de se vitimizar, de exagerar, de mentir – mesmo com imagens provando que Aranha tinha sido realmente ofendido. Até mesmo Pelé repreendeu o goleiro pela reação.

E, assim como o Grêmio à época do ocorrido, muitas instituições ainda possuem pessoas estúpidas de pensamento semelhante. Se mesmo com imagens provando as alegações do goleiro, houve quem sustentasse publicamente que o fato não fosse digno de atenção não seria inesperado que Taison seria criticado por ter reagido aos insultos. E isso aconteceu:

Mais do que conseguir abrir a mente pequena de quem acredita que negros não podem se levantar contra o racismo, é necessária uma profunda mudança nas estruturas de poder que compõem o esporte. Ainda há um longo caminho a ser percorrido e, ao Taison, fica aqui a nossa solidariedade.